Anúncio topo

Carga mental: o trabalho invisível das mulheres

Matérias

Carga mental: o trabalho invisível das mulheres

Cenas de uma quinta-feira à noite qualquer: colocar as crianças pra dormir, separar os uniformes da escola, deixar no esquema o café da manhã e o lanche da escola, anotar na caderneta que o filho mais velho está autorizado a sair com a mãe do amigo. Pagar o transporte avulso da escola da mais velha, lembrar o mais novo que tem de devolver o livro na biblioteca da escola no dia seguinte. Entregar pra mais velha a autorização para o passeio da escola e o pagamento. Pensar no almoço do dia seguinte, mandar pelo aplicativo da seguradora os documentos de solicitação de reembolso da odontologista das crianças, enviar Whatsapp pedindo pro feirante parceiro entregar 5 kg de tomate maduro e deixar o dinheiro separado. Ô lista que não acaba!!!

Se você se identifica, bem-vinda ao clube! Não é preciso conhecer o conceito da carga mental para ser impactada por ela. A breve descrição acima deve ter gerado em você um mix de sentimentos: vamos da risada (nervosa?!) à aflição, porque a gente se enxerga nessa rotina de ter de lidar com uma lista interminável de itens que compõem a nossa agenda e que misturam afazeres pessoais, profissionais, de cuidados com a casa e com os filhos.

Mas, afinal, o que é a carga mental, essa sensação de cansaço físico e emocional que nos atinge e que sempre é pauta nas rodas de mães? De acordo com os pesquisadores, a carga mental é o “trabalho de gestão, organização e de planejamento que é invisível, constante e inevitável”. Não é, portanto, exclusividade das mulheres e nem das mães — mas os estudos mostram que são as mulheres que, por “N” motivos, acabam assumindo a maior parte da responsabilidade nos relacionamentos, nos cuidados com a casa e com os filhos. Também não é algo exclusivo dos tempos atuais. A (ótima) novidade é que agora a carga mental virou foco de estudo e está sendo mais discutido.

Nos últimos dois anos, dois movimentos fizeram o tema viralizar. Em 2017, a quadrinista francesa Emma Clit publicou uma tirinha “explicando” porque as mulheres estão tão cansadas e mostrando que o problema da divisão desigual de tarefas está bem mais enraizado na sociedade do que se imagina. No quadrinho, ela demonstra, com uma precisão incrível, como é a rotina de um casal que vai receber amigos para jantar – e a sobrecarga de tarefas que recai sobre a mulher-mãe. A identificação foi enorme e imediata, gerando grande volume de compartilhamentos da história em vários idiomas.

Em 2018, a jornalista Gemma Hartley escreveu o artigo “Women aren’t nags — we’re just fed up” (em português, algo como “Não somos reclamonas, só estamos de saco cheio”) na Harper´s Bazaar, em que compartilha sua frustração sobre assumir quase todo o “trabalho emocional” na rotina doméstica de sua própria família. O artigo promoveu um chacoalhão global, uma discussão intensa sobre desigualdade de gênero. Ela define o trabalho emocional como “uma atividade não remunerada, muitas vezes despercebida, que envolve manter todos ao seu redor confortáveis ​​e felizes. É a combinação do gerenciamento das emoções e da vida”. É o tal do trabalho invisível, que não é percebido nem valorizado por quem não o realiza. No ano passado, Gemma lançou o livro “Fed Up: Emotional Labor, Women and the Way Forward”, ainda sem tradução em português. O livro mostra como a carga mental está afetando a vida das mulheres e como alimenta ainda mais a desigualdade de gênero.

Uma pesquisa dos Estados Unidos indica que 52% das mães dizem estar no limite por carregar toda a carga mental relativa às funções da parentalidade. Há, de fato, mulheres adoecendo em consequência desse cansaço extremo. Por isso é tão urgente refletirmos sobre carga mental. Todos sabemos que as crianças repetem os padrões que estão ao seu redor. E, definitivamente, não é este o cenário que queremos ver reproduzido pelas próximas gerações. Vamos falar mais sobre isso?

Mande seus comentários e sugestões para contato@fatigatis.info


Tags: , , ,
Fatigatis

Fatigatis

Comentários


Posts relacionados

Lookinhos para o fim do ano!

Para as crianças de todos os estilos, fiz uma seleção de roupinhas para a criançada arrasar nas festividades. Para quem…

Leia mais

Presentes de Natal até R$ 250!

Para você não fazer feio no amigo secreto ou na troca de presentes, selecionei algumas peças incríveis que vão conquistar…

Leia mais

Roupas feitas e pensadas para as crianças, assim é a Bagubi!

O desejo da Carla era ver sua filha Angelina com roupas confortáveis e ao mesmo tempo sustentáveis e sem deixar…

Leia mais

Facebook

Pinterest

2478MamãeAchei! - © 2016 - Direitos Reservados